O Ouro do Tempo
05/02/2018 09:29 em Qualidade de vida

 

O OURO DO TEMPO

 

Bem no início da minha carreira com geriatra eu atendia uma senhorinha por volta dos seus oitenta anos. Ela sempre elegante, com seus cabelos brancos bem cuidados, vestia-se bem e, uma de suas características, o sorriso nos lábios.

Numa consulta perguntei sobre as atividades da sua vida e ela me contou:

“Doutor trabalhei a vida toda no comércio, fui vendedora e sou aposentada há dez anos. Trabalhei muito, dei duro para criar quatro filhos. O dia e a noite eram pequenos para fazer tantas coisas. O tempo passou feito um foguete e o que fiz foi trabalhar.

Hoje tenho tempo para mim, para me cuidar, para fazer o que gosto. Ouço músicas, leio livros, conto histórias para meus netos, faço atividades físicas, contemplo o céu e a natureza, ainda cuido da minha casa, moro sozinha, sou viúva há quinze anos. A minha vida não tem espaço para a solidão. Gostaria de viajar mais, só não viajo o que gostaria porque a minha aposentadoria e uma pequena poupança não possibilita, nem por isso sou triste, as poucas viagens que faço, aproveito ao máximo.

Mas, a maior virtude, aquela que chamo O OURO DO TEMPO foi aprender a arte de ouvir. Hoje tenho tempo e paciência para ouvir as pessoas. A arte de ouvir é a chave que abre portas e a ferramenta que soluciona problemas. Só isso vale apena ter vivido oito décadas para aprender”.

          Um ensinamento como esse não pode “morrer” senti a necessidade de compartilhar com vocês. 

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